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O desenvolvimento de programas de investigação em consórcio,
o acompanhamento da inserção de mestres e doutores nas
empresas, a participação de docentes/investigadores em
projectos conjuntos, o apoio à constituição de núcleos
de investigação científica em empresas interessadas em
incorporar inovação nos seus processos produtivos são
algumas das modalidades que traduzem a possível cooperação
universidade-empresa e para as quais a Agência de Inovação
tem desenvolvido adequados instrumentos financeiros.
A estas iniciativas deve acrescentar-se a criação de
novas empresas a partir da própria universidade,
baseiem-se elas em resultados de programas de investigação
em curso, ou resultem de iniciativas de jovens graduados
que apresentem ideias consistentes e com fortes
expectativas em termos de intervenção mercantil.
Neste último domínio, a Universidade do Algarve, através
do Centro Regional para a Inovação do Algarve (CRIA),
lançou há meses um concurso destinado a promover a criação
de empresas, inseridas nos dois eixos atrás referidos. A
iniciativa obteve uma resposta inesperada e foi possível
seleccionar 12 empresas,
recorrendo a critérios relacionados com a solidez do
projecto, o dinamismo empreendedor da equipa e o
respectivo perfil tecnológico, na maior parte dos casos
baseado nas actividades dos Laboratórios e dos Centros de
Investigação da própria Universidade. Naturalmente que
o êxito destas iniciativas dependerá da solidez da
respectiva equipa. Mas depende, igualmente, do sentido
estratégico revelado pelos diversos intervenientes
responsáveis pela criação de condições envolventes
favoráveis à afirmação destas proto-empresas. As três
componentes principais deste processo são as empresas já
instaladas, as autoridades locais e a própria
Universidade.
No caso do Algarve, reconhece-se que o tecido empresarial
é muito frágil. A dependência do exterior e a
especialização em domínios relacionados com os serviços
de pouco valor acrescentado não têm gerado um ambiente
de abertura à inovação e de estreita cooperação
empresarial. As soluções são diversas e podem passar
pela atracção de empresas âncora, pela qualificação
das empresas existentes e/ou pela densificação das relações
de todo o tipo estabelecidas entre empresas da região e
empresas localizadas no exterior.
O papel das autoridades locais carece igualmente de novas
preocupações e de novos eixos de intervenção. A fase
das infra-
-estruturas deixou de ter a premência que registou no
passado e a abertura às parcerias público-privadas
aguarda pacientemente novos protagonistas.
Quanto à Universidade, algum imobilismo resultante do
respectivo enquadramento legal, definido há mais de
trinta anos, exige novas medidas que fomentem a sua projecção
para o exterior, a transversalidade de alguns domínios de
ensino e o reconhecimento do papel social que o
conhecimento deverá desempenhar nos processos de
desenvolvimento da nossa época.
O desafio está lançado.
A convergência obriga a repensar as estratégias. A adopção
das responsabilidades exige a recuperação do tempo
perdido.
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