INVESTIGAÇÃO & DESENVOLVIMENTO 

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OPINIÃO

 
 

João Guerreiro ,

Pró-Reitor da Universidade do Algarve

 

Algarve : empresas impulsionadas pela Universidade

O papel desempenhado pelas universidades na animação do tecido produtivo das regiões revela-se cada vez mais importante

O desenvolvimento de programas de investigação em consórcio, o acompanhamento da inserção de mestres e doutores nas empresas, a participação de docentes/investigadores em projectos conjuntos, o apoio à constituição de núcleos de investigação científica em empresas interessadas em incorporar inovação nos seus processos produtivos são algumas das modalidades que traduzem a possível cooperação universidade-empresa e para as quais a Agência de Inovação tem desenvolvido adequados instrumentos financeiros.

A estas iniciativas deve acrescentar-se a criação de novas empresas a partir da própria universidade, baseiem-se elas em resultados de programas de investigação em curso, ou resultem de iniciativas de jovens graduados que apresentem ideias consistentes e com fortes expectativas em termos de intervenção mercantil.

Neste último domínio, a Universidade do Algarve, através do Centro Regional para a Inovação do Algarve (CRIA), lançou há meses um concurso destinado a promover a criação de empresas, inseridas nos dois eixos atrás referidos. A iniciativa obteve uma resposta inesperada e foi possível seleccionar 12  empresas, recorrendo a critérios relacionados com a solidez do projecto, o dinamismo empreendedor da equipa e o respectivo perfil tecnológico, na maior parte dos casos baseado nas actividades dos Laboratórios e dos Centros de Investigação da própria Universidade. Naturalmente que o êxito destas iniciativas dependerá da solidez da respectiva equipa. Mas depende, igualmente, do sentido estratégico revelado pelos diversos intervenientes responsáveis pela criação de condições envolventes favoráveis à afirmação destas proto-empresas. As três componentes principais deste processo são as empresas já instaladas, as autoridades locais e a própria Universidade.

No caso do Algarve, reconhece-se que o tecido empresarial é muito frágil. A dependência do exterior e a especialização em domínios relacionados com os serviços de pouco valor acrescentado não têm gerado um ambiente de abertura à inovação e de estreita cooperação empresarial. As soluções são diversas e podem passar pela atracção de empresas âncora, pela qualificação das empresas existentes e/ou pela densificação das relações de todo o tipo estabelecidas entre empresas da região e empresas localizadas no exterior.

O papel das autoridades locais carece igualmente de novas preocupações e de novos eixos de intervenção. A fase das infra-

-estruturas deixou de ter a premência que registou no passado e a abertura às parcerias público-privadas aguarda pacientemente novos protagonistas.

Quanto à Universidade, algum imobilismo resultante do respectivo enquadramento legal, definido há mais de trinta anos, exige novas medidas que fomentem a sua projecção para o exterior, a transversalidade de alguns domínios de ensino e o reconhecimento do papel social que o conhecimento deverá desempenhar nos processos de desenvolvimento da nossa época.

O desafio está lançado. A convergência obriga a repensar as estratégias. A adopção das responsabilidades exige a recuperação do tempo perdido.

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